domingo, 25 de setembro de 2011

Edição Extraordinária 89 - Barraginhas

Luciano Cordoval, se desmanchando de satisfação, diante do quadro retratando o lago de múltiplo uso, em Porteirinha, MG


Esses dias deu um conversê danado quando um pesquisador indiano descobriu que, debaixo do Rio Amazonas corria outro rio, lááá embaixo, no lençol freático, com milhões de litros dágua.  A história do Rio Hamsa[1] é só a confirmação do que Luciano Cordoval, pesquisador da Empraba Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, anteviu quando se deu conta do conceito das barraginhas.

Modestamente, achei a maior bobagem.  Tem é tempo que Luciano foi lá no Meu Sítio pra implantar 7 barraginhas, que jogam 1 milhão de metros cúbicos de água a cada chuva pro lençol freático, impedindo a formação de vossorocas no terreno e fortalecendo as águas dos rios da região.

Luciano conta que a coisa veio como uma visão, quando ele visitava Israel.  Exatamente no local para onde parecia correr a água da chuva, brotava sempre um oásis.  Com esta coisa na cabeça, Cordoval voltou disposto a criar oásis pelo semiárido do Brasil.

Nem sei quando foi esta viagem a Israel.  Mas de lá pra cá, Luciano já foi chamado pra contar a história no Fórum de Kyoto, já ganhou tudo que é prêmio de Tecnologias Sociais, já foi considerado pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento um dos “50 jeitos brasileiros para mudar o mundo”.  Obama é que não conhece ele, senão diria que, ele sim, é que é o cara!

Enfim, entre filhas, netas e bisnetas, Luciano já implantou entre 300 e 500 mil barraginhas pelo Brasil.  Só em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, treinou 400 técnicos da Embrater que implantaram mais de 5.000 barraginhas até hoje.

Em Cáceres e em Montes Claros, o Ministério Público Federal tem usado, em vez de cobrar multa, exigir que os condenados por crimes ambientais, como medidas compensatórias, entreguem barraginhas para a comunidade.

Agora, a última inventação de moda do Luciano é integrar as tecnologias sociais das barraginhas e do lago de múltiplo uso para garantir sustentabilidade hídrica para agricultores familiares, viabilizando criatórios de peixes e irrigação de hortas. É só você correr no blog das barraginhas que vai encontrar, por exemplo, a experiência na comunidade Fazendinhas Pai José, no município de Araçaí-MG, como foi que em um solo seco sob vegetação de Cerrado,  depois de um monte de reuniões com a comunidade, foram construídas 96 barraginhas no ano de 2008 e 90 em 2009, para colher a água dos escorrimentos superficiais das chuvas: as enxurradas. As barraginhas são carregadas e descarregadas de 10 a 12 vezes por ano, infiltrando e elevando o lençol freático, umedecendo o solo em torno delas e nas baixadas, amenizando secas, revitalizando córregos.  De quebra, constatou-se um aumento do nível das cisternas de quatro para 10 a 11 m de coluna de água, gerando nos agricultores sentimento de abundância.  
Isso viabilizou a construção de lagos impermeabilizados com lona de plástico comum para armazenamento de água durante o período seco, pelo bombeamento de água das cisternas, o que viabilizou a criação de peixes e ainda irrigação de hortas. De forma complementar, no período chuvoso, os lagos são abastecidos também por água captada por telhados.

O legal é que o entusiasmo do Luciano com as barraginhas é contagioso.  A experiência já foi replicada com sucesso em mais dois municípios vizinhos e poderá ser extrapolada aos estados do Brasil central, onde predominam solos e condições similares.

Brincando, brincando, as barraginhas do Luciano já devem ter dado mais água que o tal Rio Hamsa.

Ciça, minha filha, este post é em sua homenagem!




[1] Recebeu o nome em homenagem ao pesquisador indiano que procurava petróleo na região.



20 comentários:

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Incrível essa experiência, e viva a Ciça, um de seus rios subterrâneos!

PC disse...

Minha vida corre nesta menina, Paulinho

Ilana Goldstein disse...

Paulinho, amei esse post. Realmente incrível!

PC disse...

É Ciça, sua irmã, que é minha auditora, Ilana.
Ela é, ao mesmo tempo, biodesagradável e bioapaixonante.

Tinez disse...

Acompanho o Projeto desde 1996. Apaixonadamente...É o melhor projeto que conheço, no item desenvolvimento /sustentabilidade. Acorda,gente do meu Brasil... Baixo custo o resultado inquestionável...Até mesmo para amenizar as enxentes que assolam cidades e áreas agricultáveis. Parabéns, EMBRAPA -Sete Lagoas MG. Parabéns , Luciano pela perseverança e sucesso.

Anônimo disse...

Nó Paulinho, só vi isso agora, tô atrazado... pensei que me enviaria uma mensagem no e-mail. Isabela filha pega meu celular para uso agora mesmo e viu sua mensagem meia hora atrás, ainda bem!!!Ela abriu na tela do PC e disse: papai, venha ver...quem será que postou isso???Bacana,
obrigado...vou ver sua outras edições extras!!!Abraço,
Luciano Cordoval.

PC disse...

Acho que o sucesso todo é por causa do Luciano, Tinez.
Nada faz ele desistir de se sacrificar até o pescoço por causa do projeto.

PC disse...

Bacana, aqui você tem a história do meu câncer, desde o dia que eu fiquei sabendo até hoje que eu já tô curado
Agora no final é quase que só abobrinha.
Manda Luciana ler e te fazer um resumo.

Beijos nas meninas todas (é você, Lu, sua irmã e sua mãe)

Anônimo disse...

Parabéns Luciano,

Realmente, deixar a água escorrer morro a baixo levando toneladas de terra e secando rios é pior que jogar dinheiro no lixo, já que não é possível se beber dinheiro... E água será cada dia mais valiosa.
Grande abraço,
Ana

PC disse...

Ele é tão distraído, Ana, que só avisou pra vocês agora.
Mas, em compensação, é lindo também...
Beijo pra vocês

Anônimo disse...

Paulinho,
esta Ana não é minha mulher não viu?
é uma amiga virtual, sitiante como você, apaixonada pela natureza, ela deve estar adorando esta próxima Edição Ext. 88 - Love is in the air...rsrsr...vai copiar seu tratador de rolinhas/chapinhas...se é que já o tem!!! Abraços à Tinez, Ana e amigos e amigas!!! Luciano.

PC disse...

Que tratador de canarinho que nada, bacana. Eles estão destruindo o pomar e acho que tá é bem pago, pelo tanto de beleza que eles emprestam ao Meu Sítio.
Beijo pra nós todos que torcemos por você.

Anônimo disse...

Caro Paulinho,
De fato não sou a esposa do Luciano, e sim outra grande admiradora do trabalho dele.
Att.
Ana Tigre

Anônimo disse...

Ei bacana, as sete barraginhas de seu sítio já pegaram água de chuvas nesse início de estação chuvosa? Fale um pouco delas para mim!!! Abraço.

Anônimo disse...

Bacana, mande fotos das barraguinhas para mim em seus melhores momentos !!

Quero fazer um álbum no meu blog...

assinado, o pai biológico...

PC disse...

Bacana,
Agora anda ótimo de fotografar.
No primeiro pé dágua, mando pra você.
Elas mandaram pedir bença pro pai delas. Aliás, eu também.

Anônimo disse...

Luciano,

Você não para de nos surpreender, já virou estrela iluminando o nosso caminho.Nós do Programa de Educação Ambiental de Furnas só temos agradecimentos pela sua presença nas nossas reuniões.
Abs, Lucia, Neida, Marcelo, Simone e Sandra.

PC disse...

Meninas, por um breve momento achei que era eu.
Mas já me acostumei com esse bacana iluminando meu caminho também.
Beijo pra vocês.

Anônimo disse...

Bacana, amém!!!!

Estou tendo o prazer de receber a Lúcia "carioca" em minha sala.

Luciano.

Anônimo disse...

Lúcia de Furnas!!!