quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Retrouvailles - 118



Caminhar na piscina tem sido meu melhor exercício.  Compatível com a hemoglobina baixa e acaba que eu fico horas, sem me dar conta do tanto que aquilo é bom.  Cecília, minha bruxinha, me aplicou na walking meditation.  Na água, é perfeito.  Vou acabar  criando a water meditation.
Tem hora que minha cabeça viaja e eu fico levinho, levinho[1]. 

Estava na piscina, bem no comecinho da noite, a lua lá no poente, o céu cheio de estrelas, e eu lembrando das aulas de francês do professor Marcel Debrot, autor do Français au Gymnase, e do quanto eu gostava de um texto do Jean-Jacques Rousseau que falava das maravilhas de se dormir ao relento, olhando o céu.

Lembrei disto e de uma outra coisa do velho Marcel que entrou de vez na minha vida.  A neta dele, Inezinha[2], minha colega de Estadual, era das meninas mais fabulosas daquele lugar.  Era encantadora.  Uma vez, eu e Bizzotto fomos fazer uma serenata pra ela, na casa da Levindo Lopes.  Meu olho encheu de água e eu confessei pro Bizzotto:
-  Sou doido com ela.
E Bizzotto, de sem-pulo, olhos também marejados, rebateu:
-  Eu também.[3]
Mas a gente era nada.  Era amor platônico, inofensivo, embalado só pela doçura dela.  Mas você não acredita a saudade que deu...

Nunca mais tive notícia dela.  Só que ela tinha feito patologia, tinha ido pra Ipatinga, casado com o Adseu e uma vez, há uns quinze anos atrás, ela me ligou, depois de uma entrevista que eu tinha dado na tv, ou algo parecido.

Outro dia, fuçando internet atrás de notícia, descobri a dedicatória da dissertação de mestrado da Marina, filha dela. Era algo assim:
“à minha mãe, por ter trazido a ciência pra casa, fazendo com que os tubos de ensaio fossem parte das minhas brincadeiras de criança...”.  Meu deu a sensação de já ter vivido algo assim...

Inezinha voltou de vez pra minha vida.  A ovelhinha do Tomás, da raça Santa Inês, ganhou o nome em homenagem a ela.  Quero muito que, um dia, as minhas duas Inezinhas se conheçam.



[1] Força de expressão, ça va sans dire.

[2] O pai chamava Marcel também.  Tinha a mãe, dona Lígia, Quelita (linda), Marcelinho que sonhava ter uma banda de rock e virou jornalista do Hoje em Dia em Brasília e o Pierre (acho que ele anda pelo CEFET).

[3] Nem lembro se eu confessei primeiro ou foi o Bizzotto.  Mas isto não tem a menor importância.  Saímos nós dois, abraçados, felizes...


10 comentários:

Adriana disse...

Que doce!!!

Beijos

Flavia Coelho disse...

Como reza a lenda eu vou descobrir Inezinha em Ipatinga..... vc vai ver, duvida não kkkkk Bjs

PC disse...

Ela era puro mel mesmo, Adriana.
Se o Adseu, marido dela, mandar me matar, é merecido.

PC disse...

Ela agora está em BH (eu acho) Flavinha.
Sabe que agora me ocorreu que Cacá deve conhecer...?

rosana disse...

1. Levinho, levinho ... foi força de expressão messsssmo....rs...

2. Pô Paulinho, chorei ao ler a
dedicatória da dissertação da filha do seu amor platonico...
Vc falou que teve a sensação de ter vivido algo assim... pois eu agora revivi todas as vezes que voltava do dentista trazendo na bolsa aqueles tubinhos de vidro da anestesia pra Manuella brincar... Hoje ela é a famosa Dra. Manuella, odontopediatra em Barcelona... e isso me enche de orgulho!!!!

Ives disse...

Lembro bem do livro do Prof. Debrot. No Municipal, fui aluno da Madame Debrot que só me dava zéro....

PC disse...

É porque o já ter vivido é um link pra uma declaração de amor pro Diogo, Rosinha.
SE eu continuar dengoso assim, vou me tratar com a Dra. Manuela.

PC disse...

Com este nome e sendo chef de cuisine, você tinha que ser melhor aluno da classe, Ives.
Agora, se a gente encontrar com a Inezinha, você pede desculpas a ela.
Beijos

redatozim disse...

Dr Adseu. Joguei tênis com ele. De vera.

PC disse...

Finalmente.
Maurilo é o elo perdido.
Mas ela era ou não era uma doçura?