terça-feira, 17 de agosto de 2010

O espírito NefroColetivo - 102



Sempre que eu invento minhas modas, fico com medo de duas coisas.  De neguinho colocando olho gordo e de neguinho que senta e fica esperando que todo mundo faça as coisas por ele.  Fernando Fabbrini[1] recomenda que a gente responda pra essas figuras que em vez de ajudar ficam só demandando:
-  Acompanha fritas e refrigerante, senhor(a)?
Quase sempre a pessoa se toca...

Por outro lado, o que compensa e paga, fácil, este medo, são as figuras que, do nada também, se sabem donos do projeto. 
É pura anarquia, no sentido filosófico do termo.

Ives é doido.

Encarnou como ninguém o espírito NefroColetivo.  Liguei pra ele pra ver como a gente ia fazer, como a gente ia ratear, enfim, essas coisas de produção... 
-  E aí?, falei eu no telefone.

A primeira pergunta dele:  Você está esperando quantas pessoas?
Como está sendo o primeiro, não tenho a menor idéia.  Chutei umas cinqüenta.  Mas pode dar mais, pode dar menos...

Ives falou:  tá! 
-  Tá o quê, meu fio?

O resto é tudo problema dele.  Ele vai comprar as coisas, levar o panelão com o caldo de costela pronto, preparar a receita pra ensinar pra gente, levar os copinhos...  Que eu podia deixar a bola com ele!

O NefroColetivo é pra ser assim.  Não é de ninguém.  É de todo mundo.
Pode dar errado?  Claro que pode.
Mas, quando dá certo, é legal de fazer chorar...



Este post de hoje é em homenagem a Gregório Baremblit, psicanalista argentino que me ensinou sobre grupos operativos e análise institucional.  Don Gregório ficava sempre olhando pra mim, rindo.  Uma vez ele disse que eu usava o humor como um dispositivo muito eficiente.
Acho que ele estava me elogiando...


 
[1] Fabbrini uma vez me deu uma das mais importantes lições da minha vida.  Diz ele que só trabalha onde dá complexo de culpa.
-  Eu aqui, fazendo este trabalho legal, e este povo ainda me paga...?
Graças a Deus, desde a Meta Propaganda, meu primeiro emprego com o Almir, sempre me senti assim, por onde trabalhei!


6 comentários:

Flávia Coelho disse...

Oh gente, e eu que achava que Baremblit era nega só da Geisa e agora tô sabendo q é seu tb ..... e falo pro Ives que eu tb tô na turma . Bjs

PC disse...

Todo mundo é nega de todo mundo em Belo Horizonte, Flávia Coelho.
bjs

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Belzonte é Belzonte. Falou em Meta, viajei no tempo. Meu primeiro e breve estágio quando imaginei que mexeria com tais coisas, chefiado pelo amigo Alenquer, e sob o olhar severo do Almir, como disse um "amigo" dele no Rio, quando ele ainda era preto e pobre. Arre, língua! Vi que meu destino era outro ao preferir, embevecido, ficar observando o trabalho do Barbosa que, na 6ª à noitinha, chegava bêbado na agência, e com a tarefa, diante de alguns desesperos, de fechar a página dupla do EM de domingo, com artes de varejão, Ingleza-Levy, se não me engano. Ali, o vero espetáculo da vida, as maiores lições. Fui parar na academia, e nunca me marombei.

PC disse...

Saudade do Alenquer, Paulinho.
A gente varava madrugada fazendo past-up com fototraço do Zezito.
Belorizonte é mesmo uma azeitona...

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Vou contar pra ele. O Alenca, estando em BH, é um dos amigos que mais me visita. Pela net, quase todo dia a gente troca umas borrachas. Ele agora está na Bahia, como sempre correndo atrás de um trôco, envolvido em campanhas políticas... só não teve coragem de revelar o personagem promovido.

PC disse...

Dificuldade deste povo, Paulinho.
Mata a cobra mas não mostra o pau nem a poder de reza.
Beijos do seu xará.