sábado, 20 de março de 2010

Isadora - 54


A bailarina Isadora Duncan revolucionou a dança quando incorporou leveza e liberdade aos movimentos então aprisionados pelo rigor da coreografia do balé clássico.  Nem por isto, entretanto, ela era menos obcecada com os seus bailados.

Tem uma frase dela que sempre me impressionou muito e que faz a gente pensar no desafio de enfrentar a folha de papel em branco.  Dizia ela:
“It has taken me years of struggle, hard work and research to learn to make one simple gesture, and I know enough about the art of writing to realize that it would take as many years of concentrated effort to write one simple, beautiful sentence.”
Se você me permite, de exibido, uma tradução livre, é mais ou menos assim:
Eu levei anos de luta, trabalho duro e pesquisa para aprender a fazer um gesto simples, e eu sei o suficiente sobre a arte de escrever para perceber que tomaria o mesmo tempo de esforço concentrado para escrever uma frase simples e bonita.

Com esta história que eu inventei de começar a escrever, minha veia resolveu assumir a personalidade da bailarina.  Minha veia se chama Isadora.

Isadora não para quieta.  O que transforma o trabalho da equipe de enfermeiros um desespero permanente.  A veia está lá.  É fácil de perceber, pelo tato.  Mas é só sentir a proximidade da agulha, na punção, ela sai, serelepe, bailando pelo braço afora.

E aí, não tem outro jeito.  É aquela série infindável de picadas dolorosas, seguindo a coreografia incansável de Isadora pelo meu braço afora.

Claudinha, minha personal nurse, fica num constrangimento só.  Teve um dia em que eu recebi doze picadas e Isadora lá, dançando, livre, leve e solta!

Só agora, com quase seis meses de hemodiálise, Isadora anda permitindo ser acessada sem maiores problemas.  Mais desenvolvida a veia,  Claudinha agora aprendeu a ir acompanhando os movimentos do bailado e está chegando nela com mais facilidade.

Mas ô veiazinha que deu trabalho...


4 comentários:

Leo disse...

Fred Astaire que dizia sobre dançar bem fazendo parecer fácil...

Lucia disse...

Qdo estava na sala de cirurgia para Júlia vir ao mundo, já que nada de parto normal, a enfermeira ruim demais não conseguiu achar a minha veia. Largou de qq jeito a agulha fincada no meu braço direito e foi buscar algo. Qdo olhei para o braço, esguichava o meu nobre sangue azul pra todo lado. Com isso, tive um ataque de pânico, no dia mais feliz da minha vida. Talvez a partir daí, sei lá, a tal da deprê pós parto, no meu caso antes do parto, me deixou um ano feito zumbi, mas sobrevivi (sem medicação) e consegui criar (até que direitinho) a minha filha. Tudo passa, não passa? Passa sim, tenho certeza!!!! bjs.

PC disse...

Vou tentar, Léo, fazer duo com a Isadora.
Acho que aí a coisa vai parecer simples.
Beijos

PC disse...

Pensei nisto, Lúcia, quando decidi ajudar minha personal a entender as coreografias da Isadora.
Agora nós todos estamos nos dando maravilhosamente bem.
Beijos