segunda-feira, 15 de março de 2010

Espelho, espelho meu - 53


Ives foi um dos pioneiros em design de embalagem em Belo Horizonte, quando empreendeu com seu irmão gêmeo, Marcílio, a Packaging Shop. O negócio deles deu tão certo que rendeu, por muito tempo, representações de empresas de embalagem por aqui e prêmios internacionais por aí afora.

Talvez por estar de saco cheio com a publicidade, Ives acabou enveredando para a gastronomia e hoje é um chef dos bacanas. Teve um restaurante e acho que hoje só cozinha por prazer.
Comi, há muito tempo, um pato com laranja da lavra dele que o sabor do bicho me inspira até hoje.

Encontrei com Ives outro dia, na rua, pouco antes da minha operação.

Eu estava indo a um cartório deixar uma procuração de plenos poderes pra Gêisa, just in case, se desse algum pepino com minha saúde.
Habitualmente ele me distingue com festa, efusivo mesmo, risonho.

Naquele dia, achei Ives abatido e meio sem gracinha.

Fiquei tão impressionado com o tanto que ele estava abatido que nem rendi muito assunto.
A conversa, que poderia se estender pela tarde toda com um tanto de histórias, limitou-se a um rápido oi, como vai, um abraço.
Fiquei sem graça mesmo com o tanto que ele estava abatidinho, coitado.

Outro dia, conversando com Jussara, que foi minha sub-editora chefe a vida toda, comentei com ela o encontro.

Morrendo de rir, Jussara me falou:
- Ele me disse que esteve com você. Ele até está fazendo hemodiálise também. Mas te achou tão abatido que preferiu nem puxar muito assunto...


EM TEMPO:  a história não ocorreu exatamente, jornalisticamente, assim.  Mas ficou mais engraçada deste jeito.  Liguei pro Ives pra combinar a mentira e ele me contou que já estava bom que nem côco, de rim novo.  Aí depois nós vamos contar o processo dele, de correr atrás, de mobilizar documentação pra entrar na fila do transplante, e tudo mais. 
Hoje ele está cheio de projetos bacanas.  Um livro de culinária pra paciente renal, umas visitas pra mobilizar os coleguinhas de hemodiálise e mais umas coisas que a gente vai acabar fazendo junto.

2 comentários:

Adriana disse...

Tão engraçado esses encontros "não por acaso"...
Adorei a idéia de livro de culinária para pacientes renais!

Divulga aqui, tá?

Beijos

PC disse...

Não por acaso mesmo.
Vou encontrar com ele pra armar o que nós vamos fazer, Adriana.
E, claro, vou dando ciência pra todo mundo.

Beijos